Um uivo inocente
Mesmo se você gritar, em algum lugar, você será capaz de ver o que está à frenteNão há luz a frente? Algo para o qual você está indo na direção
Texto por : Yasuyuki Higuchi
Foto: Naoki Ishizaka
A performance do Dir en grey englobou os dias 9 e 10 de janeiro como turnê final do ”UROBOROS”, álbum que foi lançado em 2008, o show foi realizado em um local no qual eles não pisavam há três anos, com uma performance meticulosamente elaborada manifestaram seu extremo som superior, a banda que dá 100% ao tentar expressar sua visão do mundo no palco, explodiu através da sua determinação e força interior. O seu apoio em todo mundo é absolutamente reconhecido, mas mesmo sabendo de todo esse talento e experiência adquirida anteriormente, durante este show foi à primeira vez em que essa realidade se tornou um fato para mim.
Em vez do lançamento do DVD gravado ao vivo “UROBOROS -with the proof in the name of living…‐AT NIPPON BUDOKAN” que evidencia esses dois dias minuciosamente, falava-se sobre a muito procurada entrevista solo com o vocalista, Kyo. A primeira vez em que encontrei a banda chamada Dir en grey foi durante o seu segundo álbum “MACABRE” , por volta de 10 anos atrás, mas essa é uma entrevista que eu constantemente desejava fazer. Desde o início da ascensão dos diferentes tipos de bandas chamadas Visual Kei, as musicas e shows do Dir en grey já ultrapassava outros como uma existência incrédula, era assustadoramente real que você não poderia dizer o que foi catastrófico (catastrófico no sentido de marcar uma época) e que era passageiro. E essa também foi à extrema impressão que o vocalista Kyo me passou. Seus gritos que abalam todo o corpo podem ser ouvidos como gritos de alguém pedindo por ajuda em algum lugar, e é por isso que eu sempre quis saber a razão do porque ele continua a gritar até destruir aquela voz. Eu acho que é porque a essência da musica superior e extrema que essa banda continua a tocar, esta lá.
É raro para ele aceitar esse tipo de entrevista longa sozinho, e por não revelar sua personalidade nem mesmo para o núcleo dos fãs, essa entrevista foi realizada com uma quantidade extraordinária de ansiedade. Ele prontamente responder minhas perguntas sem demonstrar qualquer constrangimento ou hesitação foi de fato algo inesperado. E a resposta para a pergunta pela qual eu procurava por tantos anos, - porque você continua a gritar -, mas do que eu tinha imaginado era sua frágil e genuína personalidade, que foi dito sem disfarce sua conexão com a pessoa que persegue um ideal, parece com alguém que eu desconheço.
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-- É sua primeira capa e primeira entrevista?
Kyo: Sim
-- Obrigado
Kyo: Por nada
-- Então, para começar eu gostaria de falar sobre o show em janeiro no Budokan, por volta de antes e depois daquele show, houve algo de diferente para você, ou melhor, houve algo que você havia determinado/estabelecido?
Kyo: Em primeiro lugar, houve um sentimento de que a expressão do “UROBOROS” estava finalmente completa. A turnê começou no ¹Osaka-jo Hall mas no Budokan eu finalmente fui capaz de fazer um show no qual eu pude ficar satisfeito.
-- Na história da sua banda até o momento, especialmente quando vi o segundo dia, eu achei que foi um show muito importante, mas como foi para você?
Kyo: Deixe-me ver... Havia um sentimento de satisfação e realização. Eu acho que naquele momento fomos capazes de dar tudo de nos. Quanto ao primeiro dia, as pessoas ao meu redor me diziam que foi bom, mas para mim, eu não fui realmente capaz de entrar no clima então eu não pude estar satisfeito. Mas essa avaliação não é realmente importante. Apenas ser capaz de pensar “isso é bom ou não”. Especialmente durante o Osaka-jo Hall, eu estava perdendo minha voz e estava nervoso, mais mesmo assim eu fiz tudo que eu podia, no entanto eu não pude ficar satisfeito com o show. Eu vinha constantemente pensando em me vingar e acho que fui capaz de devidamente cumprir isso (a vingança) no segundo dia no Budokan.
-- O que o fez pensar que você foi capaz de cumprir sua vingança?
Kyo: Hmmm eu me pergunto… Não é a respeito da visão que eu idealizei ou porque eu fui capaz de cantar bem, foi à atmosfera e algum tipo de poder, o qual eu não entendo realmente, que engoliu o local. Também foi o sentimento de harmonia da banda. Foi esse tipo de sentimento.
-- Isso não é algo concreto (risos).
Kyo: ...Naquele momento o que era importante para mim era se algo iria progredir ou não.
--Progredir?
Kyo: Sim, quando algo está progredindo ou mesmo quando você esta concentrando-se numa musica, é como se houvesse esse sentimento de estar sendo libertado. Mas senti como se precisamente no segundo dia de Budokan esse sentimento foi alcançado.
-- Eu quero perguntar mais sobre essa sensação. Falando concretamente o que você quis dizer com “estar sendo libertado”?
Kyo: Hmmmm….
-- Um extremo sentimento de vazio?
Kyo: Isso mesmo. Não havia impurezas. Bem eu normalmente não faço coisas enquanto penso a respeito delas, contudo não era mais revigorante, porém era capaz de expressar-se com um sentimento natural em uma condição mais plana. E isso foi relacionado com a banda com sucesso, e eu fui capaz de me libertar. Por exemplo, quando você está fazendo uma musica, eu sobretudo não penso com a cabeça e sim com o sentimento. Especialmente em shows, eu deixo com a atmosfera daquele momento e sem pensar, faço. E por causa disso, eu posso estar um pouco fora do assunto mais, eu odeio ensaios.
-- Hahahaha.
Kyo: Eu constantemente penso que não há nenhum sentido em fazer ensaios (risos).
Por isso o sentimento de que eu estou fazendo ensaio para os Staffs ao meu redor é mais forte. Pra lhe dizer a verdade, eu acho que se apresentar sem ensaiar não tem problema. Por exemplo, em turnês estrangeiras ou em festivais é um fato que não há ensaios. Você imediatamente se apresenta, e é por isso que o monitoramento de som fica tão desordenado, mas todo mundo se apresentando com aquele tipo de condição, é normal lá. Por isso eu acho que tudo em apresentações é importante, mas no passado eu pensava que as performances ao vivo deveriam ter algo de diferente nelas.
-- E é por isso que você quer cantar num estado impulsivo e ²inexpressivo?
Kyo: Eu faço isso constantemente. Se eu pensar em várias coisas e me preparar, seria ai que a contradição apareceria. É como ver o que está por trás. O que está por trás, ou melhor, quando você vê o porquê você fez algo, não é realmente como uma banda (deve se comportar), ou melhor, eu pensaria que era uma banda criada. É a mesma sensação que ensaios de ³MCs.
-- Em todo caso, o que é importante para o Kyo-san é ser capaz de se apresentar quando você fica inexpressivo em meio impulso e sentimento. E você foi capaz de entrar nessa condição no show recente do Budokan, por isso você pensou que foi um bom show?
Kyo: Isso mesmo.
-- Essa é uma razão muito simples. Mas eu acho que tentar buscar isso, mesmo num lugar tão grande como o Budokan é um aspecto importante dessa banda.
Kyo: Por isso que os artistas que eu gosto não são aqueles que vendem muito (risos)
-- Hahahahaha! Por exemplo?
Kyo: A maioria das bandas antigas do Japão, pessoas que são mais hardcore. Eles não pensam e se apresentam, e sim se apresentam através do sentimento, e não se submetem de forma alguma (para a multidão).
-- Nada artificial.
Kyo: Exatamente. Eu realmente amo esse tipo de naturalidade e eu penso “isso é musica”. E por isso... normalmente quando você está em uma banda, você pensa coisas como “da próxima vez eu quero me apresentar nesse local grande” ou “eu quero vender mais”, certo? Mas eu nunca pensei em coisas desse tipo.
-- Você quer dizer, “o quanto você é verdadeiro com a música” é também a maneira do Kyo-san de lidar com a música.
Kyo: Isso mesmo. Ao se fazer música, normalmente qualquer um pensa “Se eu fizer isso não vai ser bem recebido” ou “se eu fizer isso, não vai vender”, certo? Mas eu literalmente não penso em coisas do tipo. Isso porque eu sempre vejo pelo lado de se é divertido ou não quando faço. Se eu perder isso, então está acabado. Dai estaria tudo bem, mesmo se não fosse eu.
-- O que você quis dizer com “estaria tudo bem, mesmo se não fosse eu”?
Kyo: Somente pensar sobre isso e fazer musica, não é autêntico, pensar em fazer musica fácil de ouvir e de fácíl aceitação são coisas que eu nunca quis fazer. Completamente ignorar a vontade de vender mais e fazer apenas o que você quer e que você tem prazer é natural/autêntico, certo? Mas pensar em querer vender mais e se preocupar com outras coisas além da musica não é natural e autêntico de você, certo?