ENTREVISTA COM O DIR EN GREY: "EU NÃO TINHA IDÉIA DO QUE ELES ESTAVAM FALANDO"
O Dir en grey do Japão é uma das bandas de metal mais destemidas e imprevisíveis, mas eles não facilitam essa percepção para os futuros fãs. Os ouvintes devem lidar com letras enigmáticas da língua japonesa, estruturas de músicas sem divisões, e curvas fechadas no tom que vai da beleza para um áudio gore brutal. O visual grotesco da banda em shows e em vídeos dificilmente os tornam mais digestíveis, mas não confunda a arte do Dir en grey com um rock shock sem espiríto.
Certamente, os visuais assustadores e músicas violentas são parte do estoque comercial do quinteto, mas a missão deles - como explicaram os guitarristas Die e Kaoru à MetalSucks de um hotel em Los Angeles na semana passada - é uma auto-expressão, não um combate, e o seu cantor mega-talentoso Kyo é um agente do medo não através de slogans piedosos e caricaturais sobre as semelhanças da humanidade com excrementos, mas com a sua variação incompreensível e imagem serenamente psicopata. O pessoal, não o comum, se vocês assim prefirirem. Vocês irão perceber que aparentemente, a opção de serem mais acessíveis para os fãs não ficou clara para eles. E sendo assim os fãs saem ganhando.
Após a quebra de página, Die e Kaoru falam (através de uma intérprete sobrecarregada à quem eu devo um jantar) sobre o seu trabalho fantástico com as guitarras no seu oitavo e próximo álbum DUM SPIRO SPERO, sobre os benefícios da barreira da língua e o medo de desafiar demais os ouvintes.
Parabéns pelo novo álbum. É uma odisseia! Eu gosto de como há algo novo musicalmente em cada álbum do Dir en grey; o DUM SPIRO SPERO é formado em parte pelo post-rock e deathcore. Qual foi a evolução do som deste álbum?
Kaoru: Obrigado pelo parabéns! Nós não estavamos nos concentrando particularmente em evolução ou mudanças a partir do álbum anterior. O que fizemos na verdade, foi apresentar e transmitir realmente o que estava em nossos corações, o que queríamos dizer. Portanto, nós não estávamos realmente preocupados com a idéia de progressão, mas eu acho que o álbum demorou mais para ser feito do que os anteriores porque estávamos tentando transmitir o que estava em nossos corações. Ao invés de nos concentrarmos na diversidade de estilos que foram retratados, nós nos focamos em um elemento, toda a idéia da fundação da música. A qualidade do som. A partir daí, nós nos diversificamos e tentamos expandir os nossos horizontes e as imagens que criamos com a música. Pode ser que as músicas desta vez estejam um pouco mais fortes do que antes.